Mais de 780 milhões de litros de esgoto foram despejados diariamente em rios, córregos e praias da Bahia em 2024, segundo estudo do Instituto Trata Brasil em parceria com a EX ANTE Consultoria. O volume equivale a 52,5 litros por habitante por dia e está diretamente ligado a riscos à saúde da população e à degradação ambiental. Atualmente, o estado registra 110 pontos impróprios para banho, conforme boletim do Inema, evidenciando a relação entre poluição e falta de saneamento.
A Bahia encerrou 2024 com 58,4% da população sem acesso à rede de esgoto, índice superior à média nacional de 44,8%. Além disso, 2,8 milhões de pessoas ainda viviam sem acesso à água tratada, o que representa 19,2% da população estadual. Salvador foi a única cidade entre as regiões intermediárias com índice de tratamento de esgoto acima das médias estadual e nacional, enquanto municípios como Irecê, Paulo Afonso e Santo Antônio de Jesus registram os maiores déficits.
Apesar do cenário preocupante, houve avanços nas últimas duas décadas. Entre 2000 e 2022, cerca de 3,4 milhões de baianos passaram a ter acesso à água tratada e 3,1 milhões à coleta de esgoto. O número de pessoas vivendo em casas sem banheiro caiu drasticamente no período. Especialistas destacam que o saneamento envolve não apenas água e esgoto, mas também manejo de resíduos sólidos e drenagem, impactando diretamente a qualidade de vida, sobretudo das populações mais vulneráveis.
A falta de saneamento também afeta renda, produtividade e educação. Pessoas com acesso aos serviços ganham, em média, R$ 2.317, enquanto aquelas sem acesso têm renda média de R$ 1.332. Crianças sem saneamento estudam, em média, mais de dois anos a menos. Para cumprir a meta de universalização até 2040, prevista no Marco Legal, o estado precisará ampliar investimentos — hoje abaixo da média nacional — e acelerar a expansão da coleta e tratamento de esgoto, o que pode gerar impactos positivos inclusive no turismo e na economia baiana.
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Informações: *Correio
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