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Terça-feira, 28 de Julho 2026
Cerca de 3,6 mil lojas do varejo fecharam as portas em um ano na Bahia
Porto Seguro

Cerca de 3,6 mil lojas do varejo fecharam as portas em um ano na Bahia

Foram 1,8 mil postos de trabalhos perdidos entre 2021 e 2022

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Em um ano, 3.612 lojas de varejo fecharam as portas na Bahia e 1.868 postos de trabalho foram perdidos nesse segmento. Os dados são da Pesquisa Anual de Comércio (PAC) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), entre 2021 e 2022, e divulgada nesta quinta-feira (25). Empresários afirmam que a carga tributária, a concorrência com as vendas on-line e a violência estão por trás dessas quedas. Já o setor de Atacado teve crescimento de 26,5% com 2 mil novas lojas.

Em números absolutos a quantidade de estabelecimentos varejistas recuou de 72.385 para 68.773 (-5%). A promotora de vendas Joseane de Jesus, 31 anos, trabalhava há três anos em uma loja em Cajazeiras quando a empresa dispensou parte dos funcionários. Na época, a principal reclamação dos donos era a concorrência com o e-commerce, já que desde a pandemia os consumidores passaram a comprar mais pela internet.

"A loja só tinha mais movimento aos fins de semana, mas a dona reclamava muito das despesas. Depois que eu saí, mais ou menos, um ano depois a loja fechou. Para mim também era ruim ter pouco movimento, porque não recebia comissão, e depois que saí de lá levei quase sete meses para conseguir outro emprego", conta.

Os motivos que levam um empresário a desistir do sonho do próprio negócio são diversos, mas o presidente do Sindicato dos Lojistas da Bahia (Sindilojas), Paulo Mota, apontou alguns fatores. A carga tributária é uma das principais reclamações do setor e que dificulta a geração de emprego, acompanhada de juros agressivos que desestimula as vendas a crédito e a instabilidade fiscal, além do e-commerce.

"Essa pesquisa retrata as dificuldades que o comércio varejista vem atravessando há alguns anos. Nossa carga tributária é pesada, o que dificulta a geração de emprego. A inflação está confortável, mas os juros agressivos desestimulam as vendas a crédito, e o e-commerce vem crescendo de uma maneira muito forte e com uma concorrência agressiva para as lojas físicas e para o comércio de rua", explicou.

Outro fator apontado é o crescimento na violência que obriga lojistas a interromperem as atividades e afugentam os consumidores. Em abril, por exemplo, após quase uma semana de tiroteios em Mirantes de Periperi, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, traficantes impuseram um toque de recolher e o fechamento do comércio. A situação deixou a população assustada e as lojas não abriram.

Apesar das reduções, a receita bruta do varejo teve alta de 12%, entre 2021 e 2022, passando de R$ 116,8 bilhões para R$ 131,1 bilhões, e o setor ainda é a maior fatia do comércio baiano representando 80,5% dos estabelecimentos comerciais no estado. O número de trabalhadores caiu de 365.929 para 364.061 (-0,5%). O diretor presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Salvador (CDL), Alberto Nunes, lembrou que o contexto influenciou nesses resultados.

"Os anos de 2020 e de 2021 foram péssimos para o varejo. Muitas lojas fecharam. Em 2022 a situação começou a melhorar, mas ainda com os efeitos da pandemia. Houve perda de empregos e as empresas passaram a contratar menos por conta do home office. O aumento da violência é outro fator predominante para as pessoas não abrirem mais lojas em determinais locais", afirmou.

Ele explicou que o cenário melhorou em 2023 e que 2024 segue a mesma tendência. Os números do auge do período antes da pandemia ainda não foram alcançados, mas no último ano os resultados superaram os registrados em 2020, 2021 e 2022.

O presidente do Sindicato dos Comerciários de Salvador, Renato Ezequiel, informou que novas empresas chegaram a Salvador gerando novos postos de trabalho. Atualmente, a categoria reivindica melhores condições para desempenhar o serviço, redução do expediente e o pagamento pelos domingos trabalhados.

"Precisamos da redução da jornada de trabalho, porque apesar de a convenção determinar 44h semanais, muitas vezes, extrapola, tem trabalhadores atuando 10h a 12h por dia. Estamos com um contingente muito grande de comerciários doentes devido a assédio moral, perseguições no ambiente de trabalho, e as cobranças por metas e vendas. É uma demanda que está aumentando e que não tinha antes", afirmou.

Estudo

A supervisora do IBGE, Mariana Viveiros, explicou que o mercado de 2022 ainda estava sentindo os efeitos da pandemia, e que o setor de varejo foi mais impactado pela covid-19 que o setor de atacado, por exemplo.

"Os dois fatores que determinam as venda do varejo não estavam favoráveis. A renda ainda estava em recuperação, o mercado de trabalho estava melhorando, mas a renda a gente só percebeu uma melhora no final de 2023. Além disso, a gente tinha também uma inflação mais alta como efeito do que ocorreu na pandemia", explica Viveiros.

Além do setor varejista, a pesquisa avalia outros dois segmentos do comércio. No setor de veículos, peças e motocicletas 101 lojas fecharam as portas e restaram 6.672 em funcionamento (-1,5%). Eles também tiveram crescimento na receita entre 2021 e 2022 (12,1%), de R$ 21,3 bilhões para R$ 23,9 bilhões.

Já o comércio de Atacado foi na contramão e apresentou crescimento em todas as áreas. Em um ano foram abertos 2.087 estabelecimentos, o que representou 26,5% de crescimento, e gerados 3.861 postos de trabalho. A receita bruta de revenda pulou de R$ 98,6 bilhões para R$ 125,6 bilhões (27,4%).

 

Por: Correio* | Bahiasul News

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