Luena Maria Ferreira dos Santos, conhecida como Luena Pataxó, nasceu em Apaga Fogo, em Arraial d'Ajuda, e vive na Terra Indígena de Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália. Filha de pescador, iniciou sua trajetória na pesca artesanal aos 20 anos e construiu uma história marcada pela valorização da cultura Pataxó, pela defesa da pesca tradicional, da sustentabilidade e do protagonismo feminino.
Em 2010, passou a integrar a Associação dos Pescadores Indígenas Pataxós de Coroa Vermelha (APIP) e, desde 2019, preside a entidade, que reúne cerca de 120 associados. Sob sua liderança, a associação conquistou investimentos públicos, fortaleceu o beneficiamento do pescado, estruturou uma cozinha comunitária para apoiar pescadoras e marisqueiras e ampliou parcerias com órgãos públicos e instituições privadas, promovendo mais organização e desenvolvimento para a comunidade.
Luena também se destaca por unir tradição e inovação. Participa de projetos como o Pescando com Redes 3G, que utiliza tecnologias para melhorar o manejo e a comercialização do pescado, além de manter uma parceria com a Marinha do Brasil e a Capitania dos Portos de Porto Seguro para facilitar a regularização de embarcações, capacitar pescadores e fortalecer a segurança da navegação.
Sua atuação ganhou projeção regional e nacional em 2023, quando assumiu a presidência do Comitê de Relacionamento de Pescadores do Extremo Sul da Bahia (CORPESBA), representando oito municípios e doze associações. No mesmo ano, tornou-se a primeira mulher indígena Pataxó a integrar o Grupo de Trabalho das Mulheres do Ministério da Pesca e Aquicultura, ampliando a participação das pescadoras indígenas na formulação de políticas públicas.
Além da pesca, Luena incentiva a formação de novas lideranças e a preservação da cultura Pataxó. Ela apoiou projetos de audiovisual voltados à juventude indígena, permitindo que jovens registrem a história e o cotidiano da comunidade. Seu trabalho também fortaleceu a participação feminina, resultando em uma diretoria da APIP formada exclusivamente por mulheres, promovendo autonomia econômica, valorização da ancestralidade e continuidade da pesca artesanal entre as novas gerações.
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