Aguarde, carregando...

Terça-feira, 28 de Julho 2026
Indígenas baianos da etnia Pataxó apresentam carta de Pero Vaz de Caminha traduzida para a língua Patxohã, em Portugal
Destaque

Indígenas baianos da etnia Pataxó apresentam carta de Pero Vaz de Caminha traduzida para a língua Patxohã, em Portugal

Ato histórico fez parte das comemorações do Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado neste mês de agosto

Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Indígenas Pataxó de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, apresentaram uma tradução inédita da histórica Carta de Pero Vaz de Caminha sobre a chegada dos lusitanos ao Brasil. Eles levaram até Portugal, na Europa, a versão do documento na língua Patxohã.

Formalizado como língua cooficial de Porto Seguro, por meio de um decreto assinado pelo prefeito Jânio Natal, o Patxohã é falado pelas comunidades de etnia Pataxó que vive na região.

Conforme a prefeitura de Porto Seguro, a apresentação aconteceu no dia 9 de agosto, como parte das comemorações do Dia Internacional dos Povos Indígenas. No entanto, a informação só foi divulgada na quarta-feira (23).

A Carta foi entregue por indígenas e representantes da gestão municipal para Antônio Dias Rocha, presidente da Câmara de Belmonte, cidade portuguesa onde nasceu Pedro Álvares Cabral, navegador e explorador apontado como responsável por encontrar as terras que posteriormente seriam batizadas de Brasil.

“Esta obra foi uma surpresa muito grande. É de um enorme simbolismo esta tradução”, afirmou Antônio sobre os escritos, conhecidos como o primeiro documento redigido no país. [Veja detalhes abaixo]

Indígenas baianos apresentaram tradução da carta de Pero Vaz de Caminha em Portugal — Foto: Divulgação/Prefeitura de Porto Seguro
Indígenas baianos apresentaram tradução da carta de Pero Vaz de Caminha em Portuga

Sileyne Pataxó, uma das autoras da obra, comentou as dificuldades para concluir a tradução. "Foi um trabalho muito difícil, pois o português é complicado, mas fizemos de tudo para que ficasse o mais fiel possível ao texto original”, garantiu.

A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, parabenizou a iniciativa dos baianos, e ressaltou que "falar dos povos originários é resgatar a história de todos os brasileiros".

História

 

Trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha, primeiro documento redigido no Brasil — Foto: Domínio público
Trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha, primeiro documento redigido no Brasil — Foto: Domínio público

Pero Vaz de Caminha, autor da Carta, era o escrivão da nau do fidalgo Pedro Álvares Cabral, composta por três embarcações conhecidas como caravelas. Era dele a responsabilidade de manter a Coroa Portuguesa informada sobre o que ocorria nas expedições marítimas, e assim foi feito quando os lusitanos desembarcaram em Porto Seguro, em 22 de abril de 1500.

No documento constam as primeiras impressões do que foi encontrado no "Novo Mundo". O texto mostra o deslumbramento dos europeus em relação à descoberta do território.

"Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e quartejados, assim pelos corpos como pelas pernas, que, certo, assim pareciam bem. Também andavam entre eles quatro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas, não pareciam mal. Entre elas andava uma, com uma coxa, do joelho até o quadril e a nádega, toda tingida daquela tintura preta; e todo o resto da sua cor natural. Outra trazia ambos os joelhos com as curvas assim tintas, e também os colos dos pés; e suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não havia nisso desvergonha nenhuma (...). Todos andam rapados até por cima das orelhas; assim mesmo de sobrancelhas e pestanas. Trazem todos as testas, de fonte a fonte, tintas de tintura preta, que parece uma fita preta da largura de dois dedos." - trecho da Carta de Pero Vaz Caminha.
Placa sinaliza local da primeira missa rezada no Brasil em 1500 — Foto: Rodolfo Tiengo/G1
Placa sinaliza local da primeira missa rezada no Brasil em 1500 — Foto: Rodolfo Tiengo/G1

Além de descrever o local e o primeiro encontro entre os povos originários e os colonizadores, Pero Vaz também informou a Coroa Portuguesa sobre a primeira missa realizada no Brasil, na Praia da Coroa Vermelha, em Porto Seguro, no dia 26 de abril de 1500.

"De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa. Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. A terra em si é de muito bons ares (…). Porém o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente." - trecho da Carta de Pero Vaz Caminha.
Cruzeiro que marca o ponto onde foi realizada a primeira missa do Brasil, em 1500 — Foto: Rodolfo Tiengo/G1
Cruzeiro que marca o ponto onde foi realizada a primeira missa do Brasil, em 1500 — Foto: Rodolfo Tiengo/G1

Redigido em 1º de maio de 1500, o manuscrito foi levado para Lisboa sob os cuidados de Gaspar de Lemos, considerado um dos maiores navegadores de seu tempo. Apesar de ter surgido no século XVI, a Carta foi descoberta muito depois, no século XVIII. A aparição oficial e acadêmica é obra do filósofo e historiador espanhol Juan Bautista Munoz.

No Brasil, a primeira publicação foi em 1817, na obra “Corografia Brasilica”. Pesquisadores apontam que a primeira versão editada no Brasil foi do Padre Manuel Aires de Casal (1754-1821), que também era geógrafo, historiador e viveu boa parte da vida em território brasileiro.

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR