A Prefeitura de Porto Seguro ampliou em mais de R$ 3 milhões o valor de um contrato de requalificação urbana após alterar o projeto original da obra, sem apresentar explicações claras à população. O aditivo, publicado no Diário Oficial em 23 de março de 2026, representa um aumento de 20,38% — percentual significativo que, por si só, já levanta questionamentos sobre a condução do planejamento público.
Firmado em agosto de 2025, o contrato nº CE02.5/2025-SEPROJE previa inicialmente R$ 14,8 milhões em investimentos para obras de manutenção e requalificação de bens públicos, incluindo a rua Pero Vaz de Caminha. Com a alteração, o valor saltou para cerca de R$ 17,8 milhões. A falta de detalhamento sobre o destino dos novos recursos reforça a sensação de que decisões de grande impacto financeiro estão sendo tomadas sem o devido esclarecimento à sociedade.
A justificativa apresentada pela gestão municipal se limita a uma explicação genérica: “modificação do projeto para melhor adequação técnica aos seus objetivos, com adição de itens”. No entanto, não há qualquer especificação sobre quais mudanças foram realizadas, quais serviços foram incluídos ou por que essas necessidades não foram previstas desde o início. Para especialistas, alterações dessa magnitude costumam indicar falhas graves de planejamento — ou, no mínimo, ausência de rigor técnico na elaboração do projeto original.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura optou pelo silêncio e se recusou a esclarecer pontos básicos, como a aplicação dos recursos adicionais e os motivos das mudanças. A postura da gestão, comandada pelo prefeito Jânio Natal Andrade Borges, apenas amplia as dúvidas e alimenta desconfianças. Enquanto isso, o contrato segue vigente até o fim de 2026, agora sob a responsabilidade da Secretaria de Projetos Especiais, comandada por Zaqueu de Oliveira Filho, deixando no ar uma pergunta inevitável: o que, de fato, mudou — e por quê?
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